Bolsonaro quer acabar com normas de segurança que protegem a vida do trabalhador

Usando o velho argumento dos altos custos do emprego no Brasil, o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro (PSL) anunciou, nesta semana, que vai reduzir em 90% as Normas Regulamentadoras (NRs) de segurança e saúde no trabalho. “Há custos absurdos [para as empresas] em função de uma normatização absolutamente bizantina, anacrônica e hostil”, disse Bolsonaro ao fazer a promessa de acabar com as NRs nas redes sociais.

Segundo ele, o pacote de revisão que deve ser entregue em junho, vai modernizar as normas, simplificar e desburocratizar as regras atuais, agilizando a geração de empregos. "O governo Federal moderniza as normas de saúde, simplificando, desburocratizando, dando agilidade ao processo de utilização de maquinários, atendimento à população e geração de empregos", justificou em seu perfil no Twitter.

A primeira norma a ser revista, segundo o secretário-especial de Trabalho e Previdência do Ministério da Economia, Rogério Marinho, que foi relator e maior defensor da reforma Trabalhista do ilegitimo Michel Temer (MDB) e por isso mesmo não se reelegeu deputado, será a NR-12 - que trata da regulamentação de maquinário, abrangendo desde padarias até fornos siderúrgicos.

O anúncio já preocupa o Ministério do Público do Trabalho (MPT), médicos que atuam na área e o ex-ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho que sabem da importância da maioria dessas normas para a saúde e a segurança do trabalhador e da trabalhadora que, mesmo com as normas continuam sofrendo acidentes graves, fatais e incapacitantes nos ambientes de trabalho.

O procurador Leonardo Osório Mendonça, coordenador nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho do MPT disse à Folha que não vê como o governo pode acabar com tantas normas e continuar garantindo a proteção dos trabalhadores e trabalhadoras.  “Não vejo como cortar em 90% e não ter redução da proteção dos trabalhadores. Temos que aguardar o governo apresentar as propostas, mas com preocupação”.

O médico do Trabalho, Paulo Kaufmann, disse a repórter Cláudia Motta, da RBA, que é incrível a capacidade desse governo de buscar medidas que seriam polêmicas, se não fossem trágicas e lembrou que o Brasil segue campeão de acidentes de trabalhos. “Os acidentes com máquinas continuam amputando mãos, dedos, ceifando vidas. Se diminuir ainda mais a abrangência e exigência será um desastre, é estímulo ao crime, a garantir mais produtividade, mais lucro a custa, literalmente, do sangue, da carne dos trabalhadores.”

Fonte: CUT
Foto: Agência Brasil

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