Fala de ministro da Educação sobre cortes é 'cínica e ele mente', diz oposição

A exposição do ministro da Educação, Abraham Weintraub, no Plenário da Câmara dos Deputados, no dia de manifestações em todo o país, foi considerada por lideranças da oposição como “cínica” e “mentirosa”. “Nunca vi uma exposição de conteúdo tão cínica”, disse Jandira Feghali (PCdoB-RJ), por exemplo, líder da Minoria. “O ministro fala do ensino básico e fundamental, mas o Fundeb foi cortado em 40%. Cem por cento do Pronatec foram bloqueados.”

Ela exemplificou com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que teve 41% das verbas destinadas à manutenção cortadas, segundo a própria instituição. Jandira citou o Capes e bolsas de pós-graduação, também virtualmente inviabilizados pelo governo Jair Bolsonaro. “Diante das ruas hoje, diante da exposição cínica, a única exigência é que o sr. saia daqui e peça demissão”, acrescentou Jandira. No momento mais tenso da sessão, inúmeros parlamentares da oposição, em coro, pediram “demissão” de Weintraub.

O líder do PT, Paulo Pimenta (RS), lembrou que “milhões de brasileiros e brasileiras” estão saindo às ruas pela defesa do ensino público e gratuito. “E o presidente chama essas pessoas de idiotas, de imbecis.” A apresentação do ministro foi “absolutamente inaceitável”, na opinião do deputado Tadeu Alencar (PSB-CE), líder de seu partido.

Nos Estados Unidos, Jair Bolsonaro declarou que as manifestações pela educação são promovidas por “idiotas úteis”. Segundo os ele, os estudantes são “massa de manobra”. O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), autor do requerimento de convocação, quis saber o porquê do ódio ao conhecimento por parte do governo e afirmou ser “estapafúrdia” uma declaração de Weintraub, segundo a qual a polícia deve entrar nas universidades se precisar. “Universidade não é lugar de repressão”, disse Silva.

O ministro respondeu reafirmando a necessidade de repressão. “Autonomia universitária não é soberania. As universidades precisam respeitar as leis. Se não respeitar, a polícia tem que entrar sim”, defendeu. Em sua exposição, Weintraub disse que a política de alfabetização tem de ser baseada “em evidências científicas”. “Não pode ter achismo, tem que ter método e técnica. O formato tem que ser com dados científicos”, defendeu. Afirmou ser preciso valorizar o papel da família na alfabetização “como instrumento de superação das desigualdades”. Defendeu ainda a prioridade da alfabetização, do ensino básico e fundamental, além do ensino técnico.

Fonte: Rede Brasil Atual
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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